quarta-feira, 9 de julho de 2014

AS TRAQUINAGENS DA MODERNIDADE NA RELIGIÃO


Aron Édson Nogueira Barbosa

Bacharel (Antropologia), licenciado em Ciências Sociais e Mestrado em Ciências da Religião pela Universidade de Juiz de Fora. arongifoni@hotmail.com

Na sociedade moderna, de forma geral, nos deparamos por um crescente surgimento de novas religiões e denominações. Atrelado diretamente a isso está também o fluxo corrente de pessoas entre essas novas religiões. De acordo com as observações feitas durante o período de pesquisa, verificamos que a Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD) é uma das muitas igrejas que estão nesse caminho por onde as pessoas passam. Essa igreja surge da cissiparidade com a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), resultado de um possível conflito entre Valdomiro Santiago (fundador da IMPD) e Edir Macedo (fundador da IURD).
 

Essas igrejas possuem traços que são comuns a todas as igrejas neopentecostais, sendo mais visada pela população e mais divulgada pelas igrejas a tríade cura/exorcismo/prosperidade. No caso da IMPD, existe uma ênfase na cura divina. Programas de TV e de rádio, jornal e livros enfatizam os testemunhos dos fiéis que foram curados após receberem a oração de Valdomiro Santiago e de seus pastores.
O exorcismo te uma importância fundamental no neopentecostalismo. Ele é o responsável pela libertação das pessoas daquilo que lhes causa mal, e também é a chave para que as portas da prosperidade sejam abertas. Ou seja, se as pessoas têm doenças, estão desempregadas, desmotivadas, têm dependência química, é porque, possivelmente, estão possuídas pelo demônio. Todos os males biológicos, psicológicos, sociais, entre outros, são causados pelas forças do mal, por aquele que adoram o demônio e não têm uma vida regrada nos ensinamentos de Deus e da Igreja. Essa ideia vem acompanhando a evolução do cristianismo ao longo dos anos. O demônio existe, é causador do mal, qualquer pessoa está sujeita às suas ações, e se a pessoa não consegue nada próspero na sua vida, é por causa dele.
LIBERTAÇÃO DO MAL
Na IMPD, o exorcismo é tratado de forma diferente, e é chamado de “libertação”, assim como na Renovação Carismática Católica. A Libertação pode ser individual ou coletiva. A forma individual se dá por meio de orações entre o pastor e o fiel. O pastor profere máximas, pedindo a Deus que afaste todos os males da vida daquele fiel. Entre eles maldição e macumbaria. A libertação coletiva acontece nos cultos dedicados à cura divina, e o pastor ou bispo ora por todos que estão ali. O dirigente do culto chama à frente as pessoas que desejam algum milagre, faz um momento de oração pedindo a Deus que intervenha na vida daquelas pessoas, e logo depois inicia o ritual de libertação.

De acordo com Almeida (1982), as religiões neopentecostais, de forma geral tendem a demonizar elementos das religiões afro-brasileira¹ e espíritas. Durante as décadas de 1970 e 1980, as denominações pentecostais ganhara maior visibilidade no campo religioso brasileiro, e como estas tinham grande ênfase na batalha espiritual contra as outras denominações religiosas, as afro-brasileiras e espiritas se tornaram os inimigos número 1 das igrejas neopentecostais. A libertação (ou exorcismo) e peça central da dinâmica dos cultos, uma vez que os males da vida encontram sua origem em Satanás e seus demônios, que estão travestidos pelos exus e pelos espíritos. O desemprego, a miséria, a crise familiar são, quase sempre, de origem maligna. O exorcismo, sob intervenção do pastor, expele as forças satânicas do corpo do crente restituindo a saúde mental e corporal. A IMPD não tem um discurso claro que atribua exus e entidades à ação demoníaca. Contudo, fala-se em trabalhos de macumbaria no momento das orações individuais e coletivas.
As igrejas neopentecostais dão uma identidade ao diabo, retirando-o da subjetividade do universo pentecostal e colocando-o em um plano objetivo. Assim, o diabo se faz presente não só na pessoa, como também no ambiente, e todos podem vê-lo, pois o possuído deixa de agir por conta própria e passa a ser controlada pelo diabo. De certa forma, podemos dizer que o diabo é peça-chave para a existência do neopentecostalismo. Uma vez que a sua proposta é o combate sistêmico a Satanás e seus demônios, ele próprio não existiria sem a presença dos demônios na vida das pessoas.
CURA DIVINA
O fiel que quer receber a cura divina precisa se submeter a um ritual de libertação, que é o exorcismo descrito acima. A partir dessa libertação, o fiel está pronto para que Deus opere nele um milagre. De acordo com Csordas (2008), a cura pode ser dividida em três aspectos principais: o procedimento, o processo e a conclusão.
O procedimento diz respeito aos sujeitos envolvidos no ritual da cura e os objetos ou oração ou até medicamentos que são usados. Portanto, o procedimento do ritual de cura na IMPD envolve a ação sacra dos pastores (ou demais partícipes hierarquizados da igreja), que invocam a ação divina para que os demônios que residem em cada pessoa que está ali para ser curada possam ser expulsos; para isso, utilizam de orações e dizeres espontâneos parecidos com o ritual de exorcismo iurdiano, e também utilizam-se de toque com as mãos na cabeça das pessoas, simulando um gesto que se caracteriza pela retirada de alguma coisa da cabeça dos fiéis. A partir daí, algumas pessoas alteram o seu estado de consciência, o que caracteriza que o demônio esta se manifestando nela; algumas pessoas desmaiam, outras gritam e conversam de modo agressivo com os pastores, e como outras nada acontece.

O segundo aspecto do ritual de cura é o processo. Entendemos essa característica como sendo o estado da pessoa, seja ele físico ou psicológico, durante o ritual. O que ocorre, na verdade, é um misto de emoções que vão de um simples lacrimejar de olhos até os gritos mais desesperados de dor e sofrimento. Quando o ritual de libertação acaba, podemos perceber nas pessoas um semblante calmo, tranquilo, totalmente diferente das manifestações agitadas que acabaram de acontecer ali. Me parece, à primeira vista, uma espécie de transe coletivo, que se encerra ao comando do dirigente do culto, quando convida todos os presentes a soltarem um grito bem alto, caracterizando, de fato, que a ordem é para que o demônio saia das pessoas. Os gritos diziam: Sai... Sai... Sai.
O terceiro aspecto, que é a conclusão, é para nós o mais importante. Esse aspecto diz respeito à disposição final dos participantes em relação ao seu nível declarado de satisfação com a cura, ou seja, é o momento e, que o fiel se manifesta em relação ao seu objetivo em estar ali, vai declarar (ou não) se recebeu a cura de Deus, se alguma dor ou doença que ele sentia foi sanada a partir da intervenção divina.  Quando acaba o final do ritual de libertação, o pastor convida as pessoas que quiserem a dar o seu testemunho de fé, que nada mais é do que o discurso dos crentes que receberam o milagre. Varias pessoas se voluntariam, sendo que algumas delas receberam a cura naquela hora, e outras receberam em outros momentos, como em orações pelo rádio e televisão. Nessa hora, as pessoas se manifestam em relação à dor que estavam sentindo e que não sentem mais, àquela doença que se extinguiu sem explicações médicas, o emprego que não aparecia e que agora foi conseguido, enfim, muitas outras necessidades que os crentes buscavam através de Deus e que, quando conseguem, atribuem à ação divina.
RITUAL SAGRADO
O que nos interessa aqui não são explicações comprovadas cientificamente acerca dos milagres. O que importa para nós é a eficácia simbólica da cura, e o que ela representa para o fiel. De acordo com Lévi-Strauss (1975), “a cura consistiria, pois, em tornar pensável uma situação dada inicialmente em termos afetivos, e aceitáveis para o espirito das dores que o corpo se recusa a tolerar. Que a mitologia do xamã não corresponda a uma realidade objetiva, não tem importância: a doente acredita nela, e ela é membros de uma sociedade que acredita. Os espíritos protetores e os espíritos malfazejos, os monstros sobrenaturais e os animais mágicos fazem partes de um sistema coerente que fundamenta a concepção indígena do universo. A doente os aceita, ou, mais exatamente, ela não os pôs jamais em duvida. O que ela não aceita são as dores incoerentes e arbitrárias, que constituem um elemento estranho a seu sistema, mas que, pelo apelo ao mito, o xamã vai reintegrar num conjunto onde todos os elementos se apoiam mutuamente”.

Não estamos tratando aqui de um ritual indígena. Portanto, podemos transpor para o universo em estudo a estrutura do texto acima, transformando a em figura do xamã no pastor, a concepção indígena do universo em teologia neopentecostal e todos os demais traços míticos de monstros e espíritos e demônios. Dessa forma, podemos dizer que a cura depende, exclusivamente, de quem a procura. Ou seja, não adianta querer a intervenção divina se não se aceita a mesma, ou não acredita no que será feito. O ritual de cura, atrelado diretamente à libertação, faz parte do universo religioso da IMPD e reúne os fiéis numa igual perspectiva de crença, o que facilita a conclusão positiva do milagre.
Dessa forma, podemos dizer que a cura acontece a partir do emaranhado de significados que são colocados na vida do crente, e para tal ele deve acreditar no ritual, na possessão por demônios e no exorcismo deles, como forma de libertação, de limpeza do organismo para que aconteça a ação de Deus.
O ultimo tópico da tríade – que é a prosperidade – deve ser visto como um ato conclusivo. Ou seja, o crente busca a cura, busca uma melhora porque quer que sua vida seja próspera. A teologia da prosperidade é propaganda de forma intensa no universo neopentecostal. A IMPD, por exemplo, possui cultos exclusivamente voltados para a prosperidade. São eles: Segunda-Feira do Crescimento Financeiro e o Sábado de Clamor das Portas Abertas.
RELIGIÃO E MODERNIDADE
Juntando esses três aspectos, podemos dizer que eles estão intrinsecamente ligados. O crente quer a cura de Deus; para isso, ele deve primeiro se libertar daquilo que o prende, e assim se submeter à libertação; após ter sido liberto, Deus opera nele um milagre, seja ele a cura de alguma doença, ou contra benesse que ele almeje. Dessa forma, Deus ajuda o fiel, para que ele possa ter uma vida próspera, como mandam as escrituras.

Na verdade, as pessoas estão em busca do que lhe é conveniente e eficaz. Nesses casos, as pessoas buscam soluções divinas para os seus problemas, e a maioria dos entrevistados encontrou essa solução na IMPD. A cura divina, ou a solução divina para os problemas, faz com que as pessoas transitem mesmo de uma igreja para outra, até encontrarem o que de fato almejam. De certa forma, o pentecostalismo resgata a ideia de cura divina, pois a Igreja Católica tratou de delegar a cura apenas aos santos canonizados pelo Vaticano. O pentecostalismo, não é necessário ser santo para “praticar” milagres.
De acordo com Hervieu-Leger (2008), existem paradoxo religioso nas sociedades seculares. O que seria esse paradoxo? A modernidade, ao mesmo tempo em que seculariza a religião, deixando-a completamente sem prestígio e sem status para controlar as coisas mundanas – como era feito nos séculos anteriores -, cria determinadas vias de acesso para que essa mesma religião recrie novas formas de religiosidade. Isso significa que a religião, de certa forma, esfacela-se em tradições. E o avanço das igrejas neopentecostais pode ser atrelado a isso.
A modernidade, de acordo com Giddens (2005), nos passa a ideia de que o mundo não é regido mais pelo progresso ou pela historia de grandes instituições. A sociedade pós-moderna é totalmente pluralista e diversificada, e seu histórico é formado não pelos ditames das coisas antigas, e sim pelo seu próprio desenvolvimento, unindo as características e oportunidades que são oferecidas. De certa forma, houve uma ruptura com a tradição, e, após isso, a própria modernidade recria canais de formação de novas crenças, e é esse o cenário do avanço neopentecostal. Existem igrejas que são determinadas a um tipo de publico, como as surgidas dentro de presídios e as recentes igrejas voltadas para fiéis homossexuais. Nunca que em tempos anteriores isso seria possível, dadas as circunstâncias da hegemonia Católica Apostólica.

As práticas religiosas se misturam e permitem que os frequentadores façam essa mistura também. Há pessoas que vão em uma missa e depois vão para uma sessão espirita ou para algum terreiro. A este ponto cabem algumas considerações: i) a busca pela eficiência dos bens religiosos faz com que exista esse trânsito, e este, por sua vez, pode ser fixo ou não, possibilitando ao fiel que continue trafegando à procura de respostas positivas ou que ele se fixe em alguma igreja; a visão de religião das pessoas está bem alterada também, pois é inaceitável para a Igreja Católica pregar que ele é a única e verdadeira Igreja de Jesus Cristo. Contudo, os fiéis não tem essa visão e continuam buscando resultados.
De acordo com Hervieu-Leger (apud MARTELLI, 1995), esses efeitos da modernidade foram combatidos pelo Vaticano sob a liderança carismática de João Paulo II. Foi traçada uma estratégia mais complexa do que a enorme crítica que fazia a Igreja Católica se por à modernidade. A crítica passa a ser em favor dos direitos do homem, e não mais em favor do tradicionalismo. O resultado foi previsível: a estratégia encontra limites insuperáveis e certamente vai falir. Essa foi a conclusão que Hervieu-Leger chegou em sua análise, e esta se consumou. A estratégia católica não deu certo, a mesma perde o espaço hegemônico que tinha para os neopentecostais. O censo de 2000 já mostrava que o número de católicos vinha diminuindo consideravelmente, concomitante ao crescimento de neopentecostais e dos sem religião, e o censo 2010 consuma esse abismo nos números.
Ainda, segundo Pace (1999), a religião é influenciada pelos efeitos da globalização. De acordo com o autor, a globalização é um processo de decomposição e recomposição da identidade individual e coletiva que fragiliza os limites simbólicos dos sistemas de crença e pertencimento. Observando a religião a partir desse ponto de vista, ela este em crise como fonte de imagem, estáveis e distribuídas no tempo, do mundo em que uma autoridade religiosa reconhecida enquanto tal entrega de geração em geração os mecanismos de reprodução do capital simbólico, que são protegidos por uma religião graças ao trabalho incessante de seus pensadores.
Ao falar de globalização, Pace (1999) faz um confronto entre religião e a modernização das sociedades. Essa modernização reflete no interior da religião e faz com que ela modifique seu discurso, amenize suas assertivas e passe a fazer uma comunicação mais simples com o objetivo de conquistar um público maior, que desconhece a teologia e que está mais preocupado com as questões relacionadas com o dia a dia.

Em suma, os efeitos da pós-modernidade (ou globalização) atuam na expansão do neopentecostalismo, e em especial na IMPD, que é uma produtora de bens religiosos diversos, uma espécie de empresa, que tem sua clientela própria. E como é próprio de qualquer empresa, não é possível fidelizar os seus clientes.
As novas igrejas que são criadas a todo momento produzem o que chamamos de trânsito religioso, que é essa “andança” dos fiéis entre mais de uma igreja ou religião, em busca de determinados bens religiosos. Os autores pesquisados julgam como trânsito religioso o tráfego de fiéis em todas as religiões de forma geral. No entanto, o entendimento desse trânsito religioso não deve ser tão generalizado. O universo neopentecostal é, de certa forma, comum a todas as igrejas que se enquadram no mesmo segmento. Se o fiel trafega por igrejas dentro de um mesmo universo, esse trânsito se limita a ser apenas institucional ou interdenomininacional, e não inter-religioso.
TEOLOGIA DA PROSPERIDADE
No contexto dos últimos 50 anos, a intensa urbanização e industrialização marcaram o período do desenvolvimento nacional. Surge então uma proposta religiosa baseada no tráfego de bens simbólicos, que trouxe para si os segmentos mais pobres da sociedade brasileira, e a partir destas foram criadas redes de símbolos que fazem sentidos a essas camadas e que lhes dessem dignidade. De acordo com Proença (2010), as mudanças estruturais por quais o Brasil passou instigaram o aparecimento de determinadas práticas religiosas que respondiam bem aos processos de modernização que a sociedade brasileira passava. As pessoas foram atraídas pelas propostas que essas novas práticas colocavam como propostas ao mundo de crises que viviam. O neopentecostalismo surge com propostas de soluções mais instantâneas e medidas por elementos sobrenaturais. Esse segmento ficou conhecido no meio pentecostal por Teologia da Prosperidade.


Entre os principais ensinamentos desse segmento estão a vontade de Deus que seus filhos comam do bom e do melhor, que vistam as melhores roupas e tenham tudo o que é melhor; não se deve gastar dinheiro com médicos e remédios, pois a  fé é suficiente para a cura de todas as doenças. O neopentecostalismo abandona ema ética da desvalorização do mundo voltada para objetivos extramundanos e passa a trabalhar com a ideia de aceitação que é natural ser rico, ter uma saúde boa e ser prospero. A figura do diabo aparece novamente aqui, pois é atribuída a ação demoníaca toda a responsabilidade pela miséria e sofrimento.
REFERÊNCIAS
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BITUN, Ricardo. A “remasterizarão” do movimento pentecostal da Igreja Mundial do Poder d Deus. Ciberteologia, ano III, n. 23.
BITUN, Ricardo. Igreja Mundial do Poder de Deus: rupturas e continuidade no movimento pentecostal. Estudos de Religião, v. 23, n. 36, p. 61-79, 2009.
CAMURÇA, Marcelo. A sociologia da religião de Daniele Hervieu-Leger: entre a memória e a emoção. In: TEIXEIRA, Faustino (Org.). Sociologia da religião: enfoques teóricos. Petrópolis: Vozes, 2003. 
CSORDAS, Thomas J. Corpo/Significado/Cura. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008.
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GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
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LEVI-STRAUSS, Claude. A eficácia simbólica. In: Antropologia Estrutural. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.
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MARTELLI, Stefano. Cenários da religião na sociedade pós-moderna. In: Idem. A religião na sociedade pós moderna. São Paulo: Paulinas, 1995, p. 452-468.
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Texto retirado da REVISTA SOCIOLOGIA ANO IV – EDIÇÃO 43 – OUTUBRO/NOVEMBRO 2012

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